Era um abacaxi diferente dos outros abacaxis, mas não apenas pela aparência.
Ele falava. E muito!
No começo, os outros abacaxis achavam estranho.
“Abacaxi não fala!”, diziam eles
Então ele começou a ficar quieto.
Tentou esconder sua voz e ser igual aos outros. Queria desaparecer no meio da multidão. Mas quanto mais se calava, mais triste ficava.
Um dia, olhando o céu, ele pensou:
“Se eu consigo falar, talvez exista um motivo para isso.”
E então decidiu sair pelo mundo.
Foi caminhando devagar, conhecendo lugares e pessoas diferentes. Em muitos lugares não foi aceito. Alguns riam dele. Outros sentiam medo. E tinham aqueles que simplesmente não queriam escutá-lo.
O abacaxi falante começou a perceber uma coisa muito importante: O problema não era a sua voz, mas o fato de que muitos nunca aprenderam a ouvir o diferente.
Mas mesmo machucado, ele continuou.
Até que encontrou outros seres estranhos como ele.
Uma banana que cantava.
Um limão que escrevia poesias.
Uma melancia que não tinha medo de sorrir.
E, pela primeira vez, ele não se sentiu errado. E assim encontrou um lugar especial.
Um lugar onde ninguém precisava esconder quem era; onde cada voz podia existir sem medo.
E foi ali que o abacaxi falante finalmente entendeu:
Aquilo que o fazia sofrer… também era o que o tornava único.