Era uma vez uma cadeira pequena, que ficava no canto da sala. E toda vez que alguém diferente entrava, diziam: “É melhor você sentar ali.”
No começo, a pessoa acreditava que aquela era mesmo a sua cadeira. Sentava. Encolhia os ombros. Tentava ocupar menos espaço do que tinha.
A cadeira era desconfortável.
Mas o que mais machucava não era o tamanho dela, mas sim a ideia de que aquele era o único lugar possível.
Até que um dia essa pessoa começou a perceber melhor o entorno… A sala era enorme, tinha sofás grandes e poltronas macias. As janelas estavam abertas. Mas ninguém oferecia esses lugares.
Então veio a pergunta: “Será que eu realmente pertenço a essa cadeira?”
E a pessoa decidiu levantar. Devagar… as pernas tremiam.
Não porque a sala fosse perigosa, mas porque durante muito tempo disseram que aquele canto era o seu limite.
Ela deu os primeiros passos… Alguns olharam torto, outros fingiram não ver, e teve até quem dissesse: “Volte para o seu lugar.”
Mas algo já tinha mudado por dentro. A pessoa tinha percebido que não era pequena. Que pequena era a cadeira. E naquele instante entendeu uma coisa importante:
“O meu lugar não é aquele que oferecem para mim. mas o espaço que eu decido ocupar.”
A sala continuou a mesma, só que aquela pessoa nunca mais coube no canto.