Teve um dia em que eu sentei e pensei: talvez não seja pra mim.
Eu já tinha enfrentado rejeição, olhares tortos, silêncios que gritavam mais do que palavras. Já tinha escutado, de formas diferentes, que a faculdade não era o meu lugar. E, por alguns minutos, eu acreditei.
Não por achar que não era capaz… Por cansaço mesmo.
Cansaço de provar o tempo todo que eu podia. E de ter que ser forte quando tudo o que eu queria era ser apenas um aluno como os outros.
A exclusão não vem sempre em forma de ataque. Às vezes ela vem em forma de dúvida. E a dúvida machuca.
Eu quase desisti.
Quase aceitei que aquele sonho era grande demais para mim. Quase deixei que os rótulos definissem meu destino.
Mas uma pergunta surgiu dentro de mim: “Se eu parar agora, quem eu estou deixando vencer?”
Respirei fundo e entendi que desistir não aliviaria a dor minha dor. Só deixaria essa dor permanente. Continuar a faculdade doía, mas também construía. Desistir seria só dor, sem construção alguma.
Decidi continuar.
Não porque era fácil, mas porque não queria viver com a sensação de que abandonei a mim mesmo.
A faculdade não foi apenas uma formação acadêmica. Foi uma travessia. Uma a prova de que autonomia não nasce pronta. Ela precisa ser construída, e é na base da insistência.
E hoje eu sei: o dia em que quase desisti foi o dia em que mais cresci.
Muitas vezes, a maior superação não é vencer o mundo, é não desistir de si.